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Um dia...

Um dia, quem sabe, é certo.
No vão escuro, claro serei.
As lembranças minhas ficam.
As memórias levarei.

Perenes são as vidas
Das vindas que já passei.
Por esse canto terreno.
Em meu terreno voltei.

Muitas alegrias tive
Algumas delas eu quem sou..
Alegrias que ficaram vivas.
Nos sonhos de quem acordou.

Não importa quem fui um dia
Nem a dor que provoquei
Esqueçam as magoas sentidas.
Alegrias eu sei, deixei.

Não sei quem será meu guia
Sinto que muito foi e voltou.
Só sei que eu volto um dia.
Do jeitinho que se pensou.

Nas varias idas e vindas.
Das vidas tidas ao corpo.
Deixei meu rastro de sonhos.
Terei prazer,  após morto.

Conjunta solidão

Solidário solitário
Numa vida desacordo
Com peso de quem busca
No seu intimo diário
Um calor de quente corpo
Com seu brilho ardente ofusca
Um antigo relicário

Duas vidas que convivem
De uma forma que convém
Buscando um no outro
O brilho que não tem.
Encontrando um desencontro
Quando um vai o outro vem.
Tal qual linha com dois trens.

Desse troço nada sobra
Ou melhor, sobram destroços
Espalhados todos ao chão.
Tal qual ao meio partida, cobra.
Sem mais começo e fim.
Não se arrasta nem da bote
Nem injeta mais peçonha.
Nessa vida sem vergonha.
De conjunta solidão.

Sem sentido

Sem tido sentido na vida
Fui buscando  Ando sem tudo.
Meu azar foi ser sortudo.
Ser tudo que eu quis na lida.

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